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terça-feira, 22 de julho de 2014

BRASIL, UMA PANELA DE PRESSÃO PRESTES A EXPLODIR.


BRASIL, UMA PANELA DE PRESSÃO PRESTES A EXPLODIR.


Importante reflexão sobre o atual cenário do Brasil do ponto de vista de Irapuan Costa Junior. Um alerta para quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir!! 


A sociedade brasileira hoje estranha a si própria, não se reconhece. Está em guerra consigo mesma. Falta de competência das autoridades, segundo uns, maquiavélica manipulação por parte delas, segundo outros. Essa elite, não satisfeita, pretende mais que deter o governo. Quer ter não só o poder, mas o poder absoluto, dizem alguns analistas.


Para tanto, em vez de promover a paz social, como deveria, estimula uma artificial luta de classes, apostando no caos como parteiro do totalitarismo. O poder cobiçado seria não apenas nacional, mas regional, seguindo as determinações do Foro de São Paulo, declaradamente disposto a ganhar na América Latina o perdido no Leste Eu­ropeu. Viria daí a incrível solidariedade do governo brasileiro não só com Cuba, mas ainda com todos os dirigentes da esquerda vizinha, os “bolivarianos”, ou “socialistas do século XXI”, mesmo aqueles que agridem o Brasil, como o boliviano Evo Morales, ou que cometem toda uma série de desatinos, como o venezuelano Nicolás Maduro.

Independentemente de qual seja a hipótese verdadeira, ou se ela consiste num misto das duas, como parece, é forçoso reconhecer algumas verdades: a primeira é a de que esse processo de rachadura, como ação, data de pouco tempo, três ou quatro lustros no máximo, o que reforça a suspeita sobre o Foro de São Paulo, criado em 1990. Havia, antes dessa é­poca, uma normalidade social, e a violência estava muito abaixo dos níveis inaceitáveis de hoje. Uma minoria extremada, a “esquerda revolucionária”, na época da Guerra Fria e do regime militar não significava propriamente um rasgão no tecido social. É grossa mentira, que vai tomando ares de verdade, à la Goebbels, que vivíamos uma ditadura (ditadura mesmo é a de Cuba) e que os nossos esquerdistas lutavam, com apoio popular, pela democracia. Nem hoje, em plena democracia, eles conseguem ser democratas. Apoio popular nunca tiveram. Mesmo na época do regime militar a sociedade estava apaziguada e entregue com segurança à normalidade de sua faina. A “esquerda revolucionária” representava apenas uma minúscula, ainda que sanguinolenta excentricidade, a provocar reações também sanguinolentas de outra minúscula minoria, ligada ao regime. É uma desonestidade jogar a culpa de todo o mal da época nas costas dos militares. Mais culpados foram os chefões vermelhos, que fizeram a lavagem cerebral em jovens imaturos e os enviaram para a morte certa no combate contra profissionais.

Outra verdade é a de que o processo de conflagração interna aprofundou-se enormemente, de maneira contínua e permanente, até chegar à gravidade atual, sem grandes sobressaltos sociais, salvo as manifestações de junho passado. Teria contribuído para isso a desinformação da grande massa da população, que não tem acesso aos fatos, ou que os recebe de maneira parcial e distorcida, já que o governo controla a maioria da divulgação (e a despeito disso, insiste na censura). Teria contribuído também a índole contemplativa de nosso povo e a esmola cala-boca dos programas sociais.

Enquanto isso, a guerra passou a ser física: mata-se mais no Brasil do que na Síria em regime de secessão armada. Talvez venham a ser 60 mil os assassinados de 2014. Explica-se: Bandidos foram guindados a “classes oprimidas”, organizações criminosas a “movimentos sociais”, organizações policiais rebaixadas a “violentos instrumentos da classe opressora”, Forças Armadas a “fascistas e torturadoras” e o cidadão cumpridor das leis a alguém a tutelar, desarmar e tornar dócil como uma ovelha. Isso, enquanto há uma quase completa omissão quanto ao problema das drogas e da violência que trazem consigo.

A maioria dos assassínios nem faz parte da luta de classes. São execuções intraclasse, pobres matando pobres em meio ao tráfico. Não é de admirar que os traficantes e assaltantes estejam cada vez mais audaciosos, armados e organizados, a polícia cada vez mais acuada e até mesmo acovardada, a sociedade cada vez mais agredida, até ensaiando alguns linchamentos. Os piores bandidos são quase intocáveis, detentores, sem deveres, de todos os direitos humanos. Se menores, são quase heróis. Já dos policiais, qualquer gesto, mesmo o mais legítimo, é considerado excesso e violência. Policiais, inversamente, não têm direitos, só deveres. Manifestantes, comprovadamente ligados a partidos de extrema esquerda, agem livremente em depredações, quando se convoca um protesto por dá cá aquela palha. O governo que tanto alardeia gostar dos pobres não combate as violências que sempre estão terminando em incêndios de ônibus, que servem … aos pobres. Mesmo os protestos sem violência extravasaram para o absurdo, atingindo quem nada tem a ver com eles.

Os operários de uma construtora do aeroporto de Goiâ­nia querem aumento? Fecham em protesto a Belém-Brasília e que se danem os caminhoneiros que trabalham duro, transportando cargas perecíveis. Os habitantes da periferia de São Paulo estão descontentes com um atropelamento? Queimam pneus e bloqueiam a rodovia Regis Bitencourt. Alguns querem protestar contra o aumento no IPTU de São Paulo? Interrompem o tráfego na Avenida Paulista e perturbam a vida de milhares que trabalham e não querem saber de turbulência.

Além de física — o que não parece preocupar o governo —, a guerra é social e institucional, e aí parece preocupá-lo, mas num sentido perverso, como dito lá em cima: o Poder Exe­cutivo estimula a guerra interna, se aproveita dela, e arrasta nesse seu desejo boa parte do legislativo, por ideologia ou por di­nheiro, e parte pequena, mas crescente, do judiciário. As mais tradicionais e respeitáveis instituições do Estado Bra­sileiro têm sido minadas por acontecimentos que as enfraquecem e as tornam divididas. Denúncia recente do presidente do Supremo Tribunal Federal, em plena sessão da Corte, aponta para o aparelhamento de uma das três instituições máximas do País, também ela já em discordância interna e seriamente ameaçada de subalterna ao partido no governo. Outras instituições, dependentes da credibilidade externa, estão se tornando mais frágeis.

No campo financeiro foram prejudicados Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Receita e Casa da Moeda, to­dos vítimas de aparelhamento e corrupção.

No campo energético a Petrobrás, a Eletrobrás e demais empresas públicas do setor.

No campo da segurança as Forças Armadas, caluniadas, caladas, sucateadas e sujeitas a chefes inexpressivos. A Polícia Federal, insatisfeita com as tentativas de baixá-la, de sua condição de polícia da nação, para polícia de partido.

No campo externo, o Ita­maraty, hoje longe de ser a instituição digna que sempre foi, se submete às mais toscas figuras partidárias, exteriores a seu quadro profissional, e age desastrada e ideologicamente.
Socialmente falando, ressuscitaram-se conflitos mortos desde os séculos XVIII e XIX, como os que envolvem índios e negros contra brancos. E criaram-se conflitos novos, como os das minorias gaysista, abortista, quilombola e outras, que o governo, longe de integrar à sociedade, lança contra a parcela mais conservadora desta.

Lançam-se os sem teto contra proprietários urbanos e o MST, já despudoradamente financiado com recursos públicos, contra produtores rurais. Em recente episódio, o MST, que é uma organização criminosa, pois invade, depreda e mata, alveja instituições tanto privadas quanto públicas, e evita qualquer organização formal, foi financiado para um encontro em Brasília. Financiado com dinheiro público. Na Capital Federal tentou invadir a Suprema Corte. Os policiais que tentaram contê-lo foram surrados. Não é que uma comissão dos marginais foi recebida pela presidente Dilma? E ainda o ministro Gilberto Carvalho declarou que, sim, o governo havia dado gordas quantias aos bandidos e daria outras no futuro, culpando ainda os policiais por terem sido sovados. Pelo visto o ministro achou que apanharam pouco.

Nessa mistura de incompetência e ideologia vamos nos entrechocando, sem que alguém seriamente se oponha. Quase todos os partidos de oposição apenas combatem, timidamente, a incompetência do governo, mas se calam quanto à ideologia. Ao mandamento bíblico e cristão de “Amai-vos uns aos outros” sucedeu-se o marxista- leninista-stalinista: “Matai-vos uns aos outros”. É bom para a “revolução proletária”.
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Irapuan Costa Junior é formado em Engenharia Civil pela UFRJ, cursou Física Atômica e Nuclear pela mesma Universidade, foi professor da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Goiás e atualmente escreve para o Jornal Opção [/http://www.jornalopcao.com.br/]